IN EMMA WE TRUST

Atualizado: 22 de jul.


Foto: Naomi Baker - The FA / Getty Images

 

49 minutos do segundo tempo no Estádio Wembley. Tudo indicava que o Chelsea conquistaria a FA CUP no tempo normal. Eis que uma bola magistral de Alex Greenwood encontrou Haley Raso, que com um belo chute cruzado empatou o jogo para o Manchester City levando-o para a prorrogação. Na maioria dos jogos decisivos, o time que sofre o gol de empate tende a ter uma queda emocional na prorrogação e sucumbir diante da empolgação do adversário chega empolgado para os 30 minutos extras. Algo corriqueiro dentro do futebol.


Mas não quando se tem no banco Emma Hayes com treinadora.


Depois de um início de carreira em clubes menores e assumindo até cargos de diretora técnica e de categorias de base, a treinadora inglesa nascida em Camden aceitou em 2012 o desafio de fazer do Chelsea uma das potências da Liga Inglesa. Um trabalho nada fácil considerando que a equipe de Londres na época beirava o amadorismo e tinha uma estrutura muito abaixo de clubes como Arsenal, Birmigham e Everton.


O crescimento da equipe foi instantâneo. De um time de fim de tabela transformou-se em uma das equipes do topo, sendo vice em 2014 e campeã já em 2015, rivalizando diretamente com Manchester City e Arsenal, duas potências do futebol inglês e que durante um bom tempo contaram com maiores investimentos do que o Chelsea.


Mesmo com as primeiras conquistas, Emma Hayes tinha seu trabalho questionado. Grande parte da mídia dizia que não se tratava de um bom time, que Emma usava sistemas táticos e mais conservadoras, bem diferente do jogo propositivo e bonito dos rivais. Todos estes questionamentos eram respondidos com mais títulos, fazendo com que os que olhavam de forma negativa para o seu trabalho começassem a se atentar aos detalhes que levaram o time ao tricampeonato inglês e à conquista do Double nesta temporada, vencendo a Liga e a FA Cup.


O Chelsea é muito mais do que um time com um sistema defensivo forte. É time equilibrado, que se impõe no jogo e consegue muitas vezes passar os 90 minutos sem sofrimento. Prova disso é o fato do time, em todos os jogos do campeonato depois da virada do ano, ter ficado atrás no placar por apenas duas vezes e se recuperando muito graças as escolhas da sua treinadora. A partida final da temporada foi uma grande prova disso. Depois de sair perdendo para o Manchester United o time reagiu com as mudanças feitas por Emmy, virou o jogo e ficou com a taça.


Porém, o fator principal que levou o Chelsea a todas estas conquistas não é a formação tática, mas sim todo o trabalho de evolução e de preparação mental feito por sua treinadora e comissão técnica. Aos poucos todo o elenco foi interpretando melhor a forma como a equipe deveria agir para controlar o jogo e reagir em momentos de adversidade. Com isso cresceram em confiança e criaram uma mentalidade vencedora.


Nem o fato de ter perdido durante a temporada a ex-capitã Magdalena Eriksson, a dupla do meio-campo Ji So-Yun e Melanie Lopez e a melhor jogadora da temporada anterior Frank Kirby fez com que o time tivesse uma queda de qualidade técnica ou concentração em momentos de decisão.


Ao formar um elenco que conta com jogadoras talentosas (como Sam Kerr, 28 gols na temporada) e voluntariosas (como Jess Carter que jogou em seis posições diferentes durante toda a WSL), Emma merece todos os méritos por conseguir combinar perfeitamente estes atributos e fazer suas atletas atingirem os níveis mais altos de performance, criando um grupo versátil, competitivo e sempre focado nos objetivos. Algo que ficou claro principalmente nos últimos jogos da temporada.


Mais uma vez, a escolhida Melhor Treinadora do Ano pela FIFA encerra uma jornada cheia de glórias e dando a impressão de que conseguiu, mais uma vez, tirar do seu elenco a sua melhor versão. A expectativa agora é ver como a sua equipe ira performar nas noites europeias da Champions League no ano que vem.

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