FOI LINDO, GUERREIRAS

Atualizado: 16 de nov.

A vitória de hoje pode até ter apresentado os problemas de sempre, mas mostrou que esta seleção pode ser intensa, ambiciosa e lutar até o fim

Foto: Thaís Magalhães - CBF

Tarde ensolarada, quase vinte mil pessoas na Neo Química Arena e vitória com gol no finalzinho contra um algoz. Talvez nem Pia Sundhage e sua comissão sonharam com um final de temporada para a seleção desta forma, mas foi o que aconteceu na vitória do Brasil por 2 x 1 sobre o Canadá.


O resultado foi de extrema importância para a continuidade do trabalho. Por mais que sejam visíveis os diversos problemas causados pelas escolhas táticas da treinadora, hoje as jogadoras mostraram uma dedicação e uma intensidade nas divididas e nas disputas pela bola que não foram vistas nos jogos recentes, principalmente no apático jogo na Vila Belmiro contra este mesmo adversário.


Mais uma vez o miolo do setor defensivo, independente da dupla, mostrou que não é um problema. A partida de Tainara hoje foi quase perfeita. A forma como se antecipa e se impõe sobre as atacantes trouxe muita segurança. A zagueira do Bayern parecia estar tão à vontade ainda arriscou alguns lançamentos e jogou deslocada para o lado direito na parte final do jogo.


Porém, se o miolo passou pelo teste, o sinal de alerta fica para a falta de mobilidade das duas laterais, que ficam presas à linha defensiva graças ao esquema escolhido por Pia, que sobe praticamente num 4-2-4 e faz duas linhas de quatro jogadoras num 4-4-2 nos momentos defensivos. Bruninha e Tamires pareciam travadas e o tempo todo tentando ocupar os espaços deixados quando a seleção perdia a bola, o que fez delas praticamente imperceptíveis quando o Brasil subia ao ataque. Considerando a qualidade de ambas e até das outras opções que temos para a posição, talvez seja melhor repensar o esquema para favorecê-las e deixar o time mais equilibrado e com maior aproximação entre as linhas.


A falta de aproximação foi um problema resolvido pela alta mobilidade de jogadoras como Ary Borges, Kerolin, Debinha, Geyse e Adriana, que mesmo sobrecarregadas, conseguiram ter mais controle do jogo e, como já ressaltado por aqui, fizeram um jogo acima da média em intensidade se compararmos com os amistosos recentes.


Outro ponto a ser ressaltado foi a clara busca pela vitória nas mudanças. Pia sentiu que o clima do estádio pedia mais agressividade ofensiva e que poderia se aproveitar da atmosfera. O resultado foi uma maior pressão no campo de ataque que resultou em diversas chances e em diversos escanteios. Tamires na maioria deles forçou uma bola mais fechada e facilitou o trabalho da defesa canadense, mas exatamente no que ela cobra mais aberto o Brasil consegue, mais uma vez com muita vontade na disputa pela bola, fazer o gol da vitória e levar o estádio à loucura.


Depois da vitória, um lindo momento de interação entre torcida e jogadoras fechou a tarde de sol na Zona Leste de São Paulo, deixando claro que o apoio para as Guerreiras está cada vez maior e cada vez mais intenso.

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