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Espanha e Inglaterra chegam a sua primeira final de Copa do Mundo e provam que a luta pelo crescimento da modalidade valeu a pena

Foto: AFP

O momento mais importante da festa chegou.


A melhor Copa do Mundo de todos os tempos terá no seu confronto final as seleções da Espanha e da Inglaterra, países que demonstraram o desejo de chegar a este momento não só durante a competição, mas também há anos atrás, quando, cada um a sua maneira, decidiram investir e incentivar a presença das mulheres nos campos de futebol.


No caso da Espanha, a luta das jogadoras contra o sistema é, até hoje, o principal fator do desenvolvimento da modalidade no país. Foi através das suas vozes que as federações se moveram e começaram a oferecer estrutura para o desenvolvimento das categorias de base e investiram de forma mais consistente em um campeonato nacional. O resultado disso são os títulos mundiais das seleções sub-17 e sub-20, e o FC Barcelona, melhor equipe do mundo e que compõe grande parte do elenco da “La Roja” que está na Austrália.


Na Inglaterra, seria um absurdo dizer que a luta das atletas não tenha sido importante, porém o governo e a federação, ao contrário do que aconteceu na Espanha, tem um papel importante no desenvolvimento da modalidade em território britânico. Com um plano muito bem estruturado de “grassroots” ou do futebol de base e recreativo, aliado ao suporte da federação para o crescimento das ligas nacionais, o futebol de mulheres na Inglaterra, além de se destacar na formação de atletas, cresceu bastante através do bom desenvolvimento de marca da já conhecida mundialmente Women’s Super League. O resultado deste trabalho já foi visto na conquista da Eurocopa disputada no país e agora chega ao seu ápice atingindo a primeira final de Copa do Mundo.



O EQUILÍBRIO DO CONFRONTO


Se no desenvolvimento da modalidade os caminhos foram distintos, as jornadas das duas seleções na Copa do Mundo tiveram suas semelhanças. O início sem a empolgação esperada de ambos os lados demonstrou sinais de que mudanças seriam necessárias para que as seleções avançassem na competição. A reação dos treinadores, que entenderam o recado e aos poucos foram encontrando suas equipes ideais, ou pelo menos parte delas, foram essenciais para que elas chegassem até a final.


Na Espanha, o treinador Jorge Vilda e a sua comissão estão longe de terem uma relação saudável com o elenco, mas nem por isso podemos tirar o mérito de que o treinador conseguiu, durante a competição, trabalhar muito bem com o elenco e fez mudanças importantes para que o time melhorasse a sua performance, como as trocas de posicionamento de Teresa Abelleira e Jenni Hermoso, além e claro, da influência de Salma Paralluelo quando sai do banco para resolver jogos, como fez contra a Holanda e contra a Suécia.


Por outro lado, na Inglaterra Sarina Wiegman tem controle total de um elenco que vê na treinadora holandesa um exemplo de liderança, acreditanto totalmente nas suas ideias. Prova disso é a troca de peças e formações, principalmente no sistema defensivo. Foi a partir da mudança da linha de quatro para três defensoras, que as “Lionesess” começaram a apresentar as suas melhores performances e, mesmo em jogos bem complicados contra Nigéria, Colômbia e Austrália, a Inglaterra sempre foi a seleção dominante e a cada classificação demonstrava para todos o porquê é a favorita a vencer o torneio nas casas de apostas.


Apesar disso, quando a bola rolar não se imagina uma Inglaterra partindo para cima da Espanha e sim uma seleção cautelosa, que tentará, desde os primeiros minutos, evitar com que jogadoras como Aitana Bonmati e Alexia Putellas controlem o jogo no meio campo através de uma forte marcação e buscando o contra-ataque rápido, uma das principais características da campeã europeia. Outro ponto chave do jogo são as opções que podem vir do banco. Na Espanha, a atacante Salma Paralluelo, como citado acima, foi peça fundamental das classificações, pois oferece inteligência, rapidez e força física de uma forma única. Porém, do outro lado, Sarina Wiegman poderá contar com o retorno de Lauren James, que antes da estúpida expulsão na partida contra a Nigéria, era a melhor jogadora da equipe e também se enquadra neste perfil de jogadoras “únicas” graças a sua habilidade e facilidade de bater na bola.


No equilíbrio dentro de campo e nas opções, talvez o detalhe do jogo esteja nas lideranças fora dele. Sarina Wiegman já provou diversas vezes na sua carreira que consegue tirar o máximo de cada atleta e, em momentos decisivos, faz com que seus times tenham um nível de concentração e de intensidade que muitas vezes se tornou a chave para suas conquistas. Do outro lado, por mais conhecimento tático que tenha, Jorge Vilda não tem o elenco na sua mão ao ponto de conseguir inspirá-las da mesma maneira. Esta diferença em um jogo como este pode ser crucial, principalmente nos momentos de adversidade.



O VEREDITO


Tudo indica que a partida que será o símbolo de mais um grande salto de crescimento da modalidade terá muito equilíbrio. A Inglaterra tem um time mais forte e mais variações táticas, mas a Espanha tem totais condições de impor o seu estilo de jogo e explorar desta forma os espaços deixados na linha defensiva nos momentos de recomposição, principalmente o lado direito, com Lucy Bronze e Jess Carter. Porém, caso não consiga, terá que suportar a intensidade e a forma inteligente que a Inglaterra utiliza a força física para encurralar a equipe adversária e se aproveitar do forte ataque para definir o jogo.


Seja lá qual for o resultado, a verdade é que, mesmo através de caminhos distintos, a prática do futebol de mulheres nos dois países vive um ótimo momento de crescimento e tudo indica que, seja lá qual for o resultado, continuará assim por muito tempo.





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