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A SUPERFINAL

Nada melhor do que ter Corinthians e Flamengo na primeira final da temporada

Foto: Nayara Halm/Staff images Woman

No domingo pela manhã, a maioria dos televisores ligados em casas, padarias, bares e restaurantes de todo o país, provavelmente estarão sintonizados na transmissão da final da Supercopa do Brasil. Nas arquibancadas da Neo Química Arena, casa da grande final, a expectativa é de que o público ultrapasse o de 19 mil pessoas da final do ano passado.


Para Globo, CBF, e para a modalidade, nada melhor do que ter as duas equipes com o maior número de torcedores do país envolvidas nesta partida. Começar a temporada desta forma a poucos dias da seleção brasileira fazer seus primeiros jogos do ano e a duas semanas de começar o brasileirão, com certeza terá um efeito positivo refletido em toda a temporada.


Mas o principal motivo para comemorar a presença das duas equipes na final é a forma que se apresentaram em campo nas suas classificações. Claro que dois jogos não são o suficiente para ter um Raio-X exato sobre a forma que jogam, mas eles deram diversos sinais de há algumas ótimas ideias sendo implementadas.


O FORTE E EMPOLGADO FLAMENGO


O Flamengo do treinador português Luís Andrade, fez ótimas contratações, mas Duda continua como o seu principal pilar criativo. A meio-campista é responsável por determinar o ritmo de jogo da equipe, alternando circulação de bola para controlar o jogo ou aproveitar a velocidade e as passadas largas para quebrar as linhas e puxar um contra-ataque. A constante movimentação de Maria Alves e Crivelari e a noção de posicionamento de Sole James, complementam a força ofensiva da equipe que mostrou nestes dois jogos que será uma das atrações da temporada.


Se por um lado o ataque dá sinais positivos, o sistema defensivo demonstrou algumas falhas. Como a demora de recomposição após perder a bola e o espaço entre as linhas deixados pelas duas laterais. Os dois problemas podem ser resolvidos tranquilamente durante os primeiros meses de temporada, mas podem ser muito bem explorados pela rapidez de articulação e pela facilidade de chegar ao campo de ataque adversário do Corinthians.


UM TIME EM CONSTANTE EVOLUÇÃO


O Corinthians, campeão da competição do ano passado chega a mais uma final reforçando a sua hegemonia no país. O time segue com a ideia de impor sua proposta de jogo, mas os desfalques, a falta de ritmo e de entrosamento, fez com que a equipe comandada por Arthur Elias não conseguisse controlar totalmente o jogo nas duas partidas que fez na competição.


O sistema ofensivo carece de objetividade. Nos dois jogos, a impressão que se teve foi a de que jogadoras como Vic Albuquerque, Gabi Portilho e Jaqueline abusaram do drible a mais ou da busca do toque de efeito, ao invés de simplificarem e realmente atacarem de forma mais objetiva. Porém, ficou claro que, mesmo perdendo Adriana, o time contará com diversas opções durante a temporada para variar as ações ofensivas, como foi visto no segundo tempo dos dois jogos, principalmente com a entrada da Millene no time.


Quando se trata de sistema defensivo, o Corinthians vem sofrendo demais com a dificuldade de sair jogando a partir da sua primeira linha. O time vem forçando demais o passe para cruzar a primeira linha de marcação e os erros geralmente causam perigo pois sempre pegam o time saindo para o ataque. Nos dois jogos, diversas chances das equipes adversarias surgiram após este erro de passe.


Os embates no meio campo é um outro fator preocupante. Muitas vezes o time sofreu com a imposição física das adversárias neste setor, problema que também foi visto no período em que Gabi Zanotti esteve ausente por contusão na temporada passada. É bem provável que com o retorno da camisa dez e entrada de Duda Sampaio no time este problema seja resolvido no futuro, mas para a final o desafio será superar os embates contra o trio formado por Kaylane, Thaisa e Duda.


O jogo tem tudo para ser muito bom. Dois ótimos times, dois projetos que vivem momentos diferentes, mas que estão buscando crescimento e atingir novos níveis. Encontraram nas arquibancadas uma atmosfera fantástica. Realmente não havia melhor forma de começarmos a temporada do que ter uma final assim. Como escrevi no texto anterior, as lideranças muitas vezes fazem de tudo para atrapalharem a evolução e o espetáculo, mas quem realmente luta diariamente pelo futebol de mulheres, como comissões técnicas, jogadoras e torcedoras – sempre nos entregam um bom espetáculo.


A modalidade agradece.

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