A REVOLUÇÃO NÃO SERÁ TELEVISIONADA

Atualizado: 24 de jun.


Estamos a algumas semanas do início das competições continentais de seleções femininas, período de extrema importância não só para as seleções, como também para toda a modalidade. A seleção na maioria dos países ainda é a grande conexão que as pessoas têm com o futebol feminino e os grandes eventos sempre servem como trampolins para a aproximação com a torcida e crescimento dos investimentos.


A nossa seleção desta vez terá não só todos os seus jogos da Copa América, como os dois amistosos preparatórios transmitidos pela TV aberta. A maior cobertura com certeza renderá frutos e será importantíssimo até para a forma como as pessoas acompanharão a fase final do Campeonato Brasileiro Feminino. A tendencia da conquista de uma seleção brasileira com jogadoras dos clubes mais populares do Brasil é algo que deverá ser aproveitado pelos clubes e pelas emissoras que transmitem o campeonato.


Para quem acompanha o futebol feminino nos sites e aplicativos de Streaming a novidade fica por conta da Women’s Concacaf Cup, que será transmitida pelos Canais Disney e pelo Star+. O torneio que tem como destaques os Estados Unidos e o Canadá terão seus principais jogos transmitidos em algum dos canais ESPN e o restante poderá ser visto através do aplicativo. Nas próximas semanas também acontecerá a Copa das Nações Africanas e tudo indica que as partidas serão transmitidas através do canal do YouTube da Confederação do continente.


A notícia triste fica por conta da maior competição continental – a Eurocopa. A décima terceira edição do torneio tem tudo para ser uma das grandes celebrações do futebol feminino, um grande passo para que o esporte ganhe proporções maiores, assim como foi a Copa do Mundo disputada na França, mas tudo indica que ela poderá ser assistida apenas pelo serviço de streaming da entidade.


Em todo o continente Sul-americano, com exceção do Brasil a ESPN tem o direito de transmissão e já confirmou que todos os jogos estarão no seu serviço de streaming. Por aqui, a emissora que tem os direitos da EURO masculina é a Globo, que transmite os jogos no SporTV. O canal não anunciou nada sobre as transmissões e provavelmente descartou a oportunidade de fazer qualquer cobertura de um evento de extrema importância.


A EURO, que será disputada na Inglaterra, teve uma procura absurda de ingressos para jogos não só das “Lionesses” mas de muitas outras seleções participantes da competição. A Islândia por exemplo vendeu em poucas horas ingressos para os dois primeiros jogos e a federação do país questionou a escolha de um estádio com a capacidade baixa para suas partidas. Outros países, como França e Suécia também formalizaram reclamações sobre o fato de não jogarem em estádios maiores, pois teriam potencial para preencher todos os lugares com seus torcedores.


Os números de venda de ingressos e a procura por cambistas dão a entender que a média de publico será maior até do que a Copa do Mundo de 2019 e o dobro da EURO 2017 disputada na Holanda, mesmo com uma capacidade de ingressos reduzida. A explicação da federação inglesa e da UEFA é de que a ideia de escolher estádios menores era com isso, ter os estádios cheios em todos os jogos, não apenas nos da equipe da casa, para não criar um clima desagradável para quem estiver nas arquibancadas e principalmente para quem acompanhar os jogos pela TV.


Os organizadores do evento confiam demais que o crescimento do futebol feminino na Inglaterra e em toda Europa terá mais um impulso com a competição. De acordo com eles o equilíbrio entre as equipes o alto nível das jogadoras e toda a estrutura criada nos arredores do estádio e nas cidades sedes da competição, tem tudo para criar um legado importantíssimo para a modalidade.


Estádios cheios, muita festa nas arquibancadas, grandes jogadoras, muitas histórias para contar e conteúdo riquíssimo para todos que acompanham o futebol feminino cobrir e espalhar a mensagem. Tudo isso não será apresentado para nós com todos os detalhes que merecemos por total falta de interesse dos donos do direito de transmissão, que até fazem anúncios institucionais lindos sobre equidade e sobre a mulher no futebol, mas quando surge uma oportunidade como essa para realmente provar que realmente busca tudo que diz nos seus conteúdos, deixa passar por total falta de interesse.


Perde o futebol feminino. Perde quem acompanha o futebol feminino.

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