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O MAIOR DERBY DA HISTÓRIA

Palmeiras e Corinthians farão o maior confronto válido pela modalidade na Final da Libertadores

Foto: Rebeca Reis | FPF

“Minha senhora, a senhora não sabe o que é um Parmera e Curinthia”

A frase acima foi falada por Lima Duarte, no clássico filme Boleiros, do diretor Ugo Giorgetti. E ela vale muito para o jogo que teremos nesta noite de sábado. A final da Libertadores envolve as duas principais equipes da modalidade na cidade de São Paulo. Será o Derby mais importante da história do futebol de mulheres por aqui. Claro, todo jogo entre as duas equipes, do futsal sub-12 até o profissional é relevante, mas uma final de torneio continental, nas condições que temos nos dias de hoje, faz desta partida um evento mais do que especial.


O acesso do Palmeiras à primeira divisão do Campeonato Brasileiro trouxe o Derby para a elite e desde então, todos os jogos trouxeram boas histórias. Dos mais recentes, os dois jogos que aconteceram em 2022 no Allianz Arena, são bons exemplos disso. A excelente vitória das Palestrinas na primeira fase do Campeonato Brasileiro, trouxe com ela diversas provocações por parte de algumas jogadoras e claro, tudo isso foi levado para os confrontos das semifinais. No primeiro jogo, a discussão entre as comissões na beira do campo da Arena Neo Química botou ainda mais pilha para a partida de volta. Porém, um Palmeiras sem a dupla de zaga viu as Brabas passearem em campo, resultando em um placar de 4 x 0. O placar poderia ter sido ainda mais elástico, se considerarmos o domínio e a quantidade de chances desperdiçadas pelo Corinthians.


O legado destes jogos foi o aumento da rivalidade entre as duas equipes. O ano de 2022 terminou com o Corinthians conquistando mais uma vez o Campeonato Brasileiro, mas foi o Palmeiras que celebrou a sua melhor temporada, com as conquistas do Campeonato Paulista e da Libertadores. Imaginava-se uma disputa entre as duas equipes no Brasileiro deste ano, mas o Palmeiras fez partidas abaixo do esperado contra o São Paulo e caiu nas quartas de final. Ainda assim, para a alegria de quem gosta da rivalidade, antes da Libertadores, as equipes já tinham agendado um confronto pelo Campeonato Paulista em novembro.


No meio disso tudo, para acirrar ainda mais a rivalidade, o técnico do Palmeiras, Ricardo Belli, questionou em uma entrevista a primeira convocação do técnico Arthur Elias para a seleção brasileira e claro, recebeu uma resposta horas depois do novo técnico da seleção, que, quis o destino, fará a sua última partida comandando o Corinthians contra o principal rival e atual campeão da Libertadores.


Além de todos estes fatores citados acima, existe uma expectativa de um embate muito equilibrado dentro de campo. Talvez seja o confronto em que as duas equipes mais estejam próximas, tratando-se de nível técnico. Existem diversos fatores que podem fazer a diferença no jogo, alguns deles citaremos abaixo.


O CONFRONTO DENTRO DE CAMPO


Você provavelmente já ouviu a expressão “o jogo se ganha no meio-campo”. Quando se trata de um confronto como esse, isso fica ainda mais evidente. O Palmeiras com sua linha de três zagueiras, faz uma linha de quatro jogadoras no meio-campo e quando está no momento de marcação, tem a ajuda das jogadoras do ataque, principalmente Duda Santos. Durante a Libertadores, ficou claro que, em momentos que foi exigido, teve certa dificuldade, principalmente nos embates físicos. Vale lembrar que, foi esse o mesmo problema visto no confronto contra o São Paulo pelo Campeonato Brasileiro. Para complicar ainda mais, as Palestreinas tiveram a notícia de que Andressinha sofreu um rompimento de LCA e desfalcará a equipe na final. Provavelmente, Lorena Benitez ocupará o seu lugar, o que talvez aumente o poder de marcação, mas diminua a precisão nos passes e as oportunidades de bolas longas.


Já o Corinthians, seja lá qual for o time em campo (Arthur Elias não repetiu o time que entrou em campo nenhuma vez) sempre busca compactação e a participação de mais jogadoras na intermediária do campo. Quando o onze inicial não entrega isso, logo o técnico mexe no time, como vimos na semifinal contra o Inter. Foi até possível ouvir Arthur avisando para Duda Sampaio que mexeria no time se ela não “entrasse no jogo”. Se por um lado a variação mostra que o elenco das Brabas é forte. Do outro, as constantes trocas dão sinais de que as atuações estão longe do ideal.


As defesas, quando olhamos as estatísticas, parecem não ser o problema das equipes. Porém, nos jogos em que foram exigidas, apresentaram algumas fragilidades. Do lado do Palmeiras, a distância entre a linha de defesa e do meio campo foi o principal ponto de preocupação. Quando perdeu os embates na região central do campo, colocou em perigo as três zagueiras, que vêm fazendo uma ótima competição. Considerando que o Corinthians sempre busca controlar o meio e ficar mais com a bola para acionar as jogadoras dos lados do campo, dessa vez esse espaço pode ser explorado e causar problemas bem maiores por se tratar de um adversário mais forte.


E o Corinthians traz um problema que foi visto nas finais do Campeonato Brasileiro, contra a Ferroviária. As laterais, principalmente Yasmin pelo lado esquerdo, fecham para o centro do campo durante a transição ofensiva, mas quando estão sem a posse de bola não vêm fazendo a recomposição de forma correta. Além disso, diversas vezes ficam em situação de mano a mano, como pudemos ver na partida contra o Internacional, quando Belén Aquino partiu diversas vezes para cima da Kati e levou vantagem na maioria dos lances. Com um trio de ataque de muita movimentação e que tem jogadoras talentosas como Bia Zaneratto e Duda, o Palmeiras provavelmente poderá tirar vantagem disso quando tiver a posse de bola.


Como podem ver, o confronto tem tudo para ser um espetáculo. Ele já entraria na história pelo simples fato de ser uma final continental, mas para quem sabe o que é um Palmeiras x Corinthians ou um Corinthians x Palmeiras, esse jogo tem algo único. Nos resta agora saber se teremos uma nova equipe bicampeã da Libertadores, ou se teremos a maior equipe do continente reconquistando o seu trono.


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